Publicado em 21/05/2016 15h10

Satélite: "não entendi", diz Wagner sobre nomeação de Pinheiro após saída do PT

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Coube ao ex-ministro Jaques Wagner expressar publicamente a incógnita que ronda grande parte da base aliada ao PT e da oposição desde que o governador Rui Costa trouxe o senador Walter Pinheiro (sem partido) para a cúpula do Palácio de Ondina. Ao ser indagado ontem sobre a nomeação de Pinheiro para a Secretaria Estadual da Educação, em entrevista à Rádio Metrópole, Wagner foi direto: “Do ponto de vista da política, eu não entendi, depois dele  sair do PT...”, disparou, em referência indireta ao mal-estar causado pela desfiliação do parlamentar no auge da crise política que defenestrou a sigla do comando da República. Nos últimos dias, governistas graduados e seus adversários vinham batendo, e ainda batem, a cabeça para entender o movimento de Rui em direção a Pinheiro. Em conversas reservadas, não esconderam a frustração nas tentativas de descobrir a intenção por trás do ato. Para eles, se o governador possui um plano já traçado, coisa de que não têm dúvidas, guardou para si e para o círculo mais íntimo de aliados. Resta saber se Wagner, padrinho eleitoral e velho parceiro de Rui, está afastado do clube ou se faz jogo de cena para alimentar o suspense.

Olho no horizonte
Entre as teses criadas pelo retorno de Walter Pinheiro ao alto escalão do governo estadual, apenas uma tem elementos para indicar as reais intenções de Rui Costa. Sem um nome puro-sangue do PT com musculatura para disputar eleições majoritárias no futuro, o governador sabe da necessidade de ter alguém com recall para  batalhas mais adiante. Nesse caso, Pinheiro despontaria como opção para ocupar palanques de destaque, seja através da candidatura à reeleição pelo Senado ou na briga pela prefeitura de Salvador em 2020. Ou ainda numa eventual sucessão ao governo do estado. O que explicaria sua nomeação para um cargo de visibilidade, onde a já conhecida capacidade de trabalho do senador pode deixá-lo em bem montada vitrine.

Ponto de mutação
 Em meio às hipóteses sobre o jogo real de Rui Costa,  o destino partidário de Walter Pinheiro é uma das chaves para decifrar o enigma. Atualmente sem partido, o senador não dá qualquer sinal claro dos seus rumos, embora haja dois caminhos no horizonte. Por um lado, o PSD tem capilaridade no interior e tempo de televisão. Por outro, limita a movimentação do governador para ampliar e fortalecer o arco de sustentação ao PT. O que torna o PDT opção viável no xadrez, pela proximidade de Pinheiro com bandeiras da legenda trabalhista. Para complicar ainda mais, a probabilidade de retorno do senador ao ninho petista é lance que não pode ser descartado.

"Se quer disputar eleição em Salvador é preciso definir candidato. Essa demora só colabora para enfraquecer", Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura e pré-candidato do PT, ao criticar o “atraso” na decisão de concorrer à prefeitura da capital, durante entrega de título de cidadã baiana a Beth Wagner, na Assembleia.

Junto e misturado
Estimulados por integrantes da base aliada ao governo Michel Temer (PMDB), deputados de oposição articulam, nos bastidores, apoio para criar uma CPI voltada a investigar os Correios, cujas dívidas ultrapassam R$ 2 bilhões. O foco são contratos da estatal desde 2004, período que inclui dois peemedebistas no Ministério das Comunicações -  o senador Eunício Oliveira (2004-2005) e o ex-senador Hélio Costa (2005-2010).

Ofensiva final
Em outra trincheira, senadores ligados ao PT colocaram em campo uma operação para tentar salvar a presidente afastada, Dilma Rousseff, no julgamento final do impeachment. Para convencer sete parlamentares a votar a favor da petista, vão propor acordo no qual Dilma se compromete, logo após ser reempossada na Presidência, a renunciar ao cargo e convocar novas eleições, ideia que tem a simpatia de uma parcela da Casa.

Autoria: CB

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