
A descoberta de dezenas de corpos pelas ruas e em valas comuns em Bucha, subúrbio da capital ucraniana de Kiev, após a retirada de tropas russas, provocou reações de líderes europeus e aumentou a pressão sobre a Rússia. "Chocado com as imagens perturbadoras das atrocidades cometidas pelo exército russo na região libertada de Kiev", disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.
"A União Europeia está ajudando a Ucrânia e ONGs a reunir as provas necessárias para ações nos tribunais internacionais", disse ele, acrescentando que mais sanções contra a Rússia estão por vir. A secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Liz Truss, afirmou em comunicado que os "atos espantosos" cometidos pelo exército russo devem ser investigados como crimes de guerra. O mesmo pediu o ministro da Economia da Alemanha, Robert Habeck, que afirmou que "este terrível crime de guerra não pode ficar sem resposta" e disse que é preciso reforçar as sanções contra a Rússia.
O chanceler francês, Jean-Yves Le Drian, afirmou que o país vai levar o caso ao Tribunal Penal Internacional junto da Ucrânia. A Rússia tem retirado tropas da região de Kiev, e a Ucrânia afirmou no sábado que já retomou o controle de todas as áreas ao redor da capital e que tem todo o comando da região pela primeira vez desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro.
A Human Rights Watch divulgou um comunicado neste domingo dizendo ter encontrado "vários casos de forças militares russas cometendo violações das leis de guerra" em regiões controladas pela Rússia, como nos arredores da capital, além de Tchernihiv e Kharkiv.
"Os casos que documentamos representam crueldade e violência indescritíveis e deliberadas contra civis ucranianos", disse Hugh Williamson, diretor da organização para Europa e Ásia Central. "Estupro, assassinato e outros atos violentos contra pessoas sob custódia das forças russas devem ser investigados como crimes de guerra", afirmou.
O relatório ainda acusa soldados russos de saquear propriedades civis, incluindo alimentos, roupas e lenha. O Kremlin não respondeu às acusações, mas por diversas vezes desde o começo da guerra negou atacar civis e rejeita as alegações de crimes de guerra. Neste domingo, mísseis russos atingiram alvos próximos ao importante porto de Odessa, no sul da Ucrânia, às margens do mar Negro. A administração regional afirmou que instalações de infraestrutura da cidade foram atingidas. Não há registro de vítimas.